…respirar como ato de resistência…
“Ar Livre” é um projeto pluridisciplinar de cocriação, formação e intervenção artístico-social com a população reclusa (masculina e feminina) do Estabelecimento Prisional da Guarda, do qual resultará um espetáculo de teatro a ser apresentado ao público geral.
A premissa do projeto assenta na ideia de heterotopia, proposta por Foucault, onde o espaço teatral se converte num lugar de escape do ambiente limitador – físico e simbólico – imposto pelo contexto prisional privilegiando lugares de trabalho neutros, facilitando a integração e a expansão individual e coletiva. O projeto articula, deliberadamente, a tensão entre o confinamento físico e a expansão das possibilidades imaginativas e criativas da arte, sugerindo que, mesmo em condições de privação de liberdade, é possível encontrar novas formas de relação com o espaço, o tempo, o corpo e os outros.
A dramaturgia de “Ar Livre”, teve como ponto de partida “A Respiração como Ato Político”, explorando as diversas dimensões – fisiológicas, psicológicas, sociais e filosóficas – em que o ato de respirar se constitui como afirmação da existência e como resistência. Será através de exercícios de escrita criativa, improvisação e técnicas de composição cénica, que os/as participantes são encorajados/as a reciclar as suas experiências, pensamentos e sentimentos, num processo de investigação-ação que tem como objetivo tanto a qualidade estética como o autoconhecimento.
Este projeto teve a duração de um ano de trabalho regular no Estabelecimento Prisional da Guarda e, como resultado, estreia no dia 29 de maio o espetáculo de teatro SUSTER no Teatro Municipal da Guarda, às 21h30.
O espetáculo “SUSTER” é resultado do projeto de cocriação, formação e intervenção artístico-social “Ar Livre”, cocriado com a população reclusa do Estabelecimento Prisional da Guarda.
A interpretação de “SUSTER” é assumida pelos próprios participantes do projeto, acompanhados por artistas convidados, num gesto artístico que dilui fronteiras entre instituição prisional e comunidade, aproximando o público de realidades frequentemente invisíveis.
O espetáculo tem direção e coordenação artística de Óscar Silva, dramaturgia de Diogo Martins e assistência de direção de Paula Diogo e Jade Cambournac.
Diário da respiração, dia 91:
Hoje disseram-nos que o nosso último espetáculo terminava com a frase:
“Gostava de saber fazer vento. Qualquer dia farei vento como quem canta com amor. Talvez amanhã.”
Fiquei o dia todo suspenso nisto e parece que de cada vez que expiro um som se forma na caixa de ressonância onde o meu coração acorda. Quero adormecer, mas a minha respiração não me deixa. Calma! Calma! Amanhã vou cantar como quem ama o vento que passa. Talvez ainda goste de estar ao ar livre. Durmo.
Direção e coordenação artística_ Óscar Silva
Assistência de direção_ Paula Diogo e Jade Cambournac
Texto de Óscar Silva, a partir de textos dos/as participantes e também de Ana Hatherly, Henry Miller, Pascal Quignard e Regina Guimarães
Dramaturgia_ Diogo Martins
Interpretação de_ Carlos Cardoso, Carlos Reis, Carlos Viegas, Cyro, Fábio Reis, Hélio Patrício, José Fernandes, Lord Tuga, María Ángela, Maria do Céu, Maria de Fátima, Maruja Maia, Paulo Cardoso, Pedro Gonçalves, Rafael Carvalho, Raúl Fardilha Neto, Sérgio Barbosa, Sérgio Ribeiro, Severiano Moreira, Vitória e também Antonieta Silva, Paula Vânia Camacho
Artistas convidados_ André Barata, Maria Leonardo Cabrita, Nuno Leão, Tonán Quito
Apoio à direção_ Ana Gil
Desenho de luz e operação_ Pedro Gonçalves
Sonoplastia_ Rui Dias
Coordenação da área social_ Isabel S. Silva
Monitorização e avaliação_ Isabel S. Silva, Ana Bártolo, Andreia Nisa, Pedro Marques | INSIGHT – Centro de Investigação Piaget para o Desenvolvimento Humano e Ecológico, Instituto Piaget – ISEIT/Viseu
Produção executiva_ Joana Gomes
Apoio à produção_ Vanessa Martins
Comunicação e assessoria de imprensa_ Rita Piteira
Registo de vídeo_ Tiago Moura
Design gráfico e de comunicação_ Inês Barreiros
Financiamento_ Programa Regional do Centro (Centro 2030) – Inclusão pela Cultura -, no âmbito do Portugal 2030, com cofinanciamento da União Europeia.
Apoio_ República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto /Direção Geral das Artes
Parceria_ A Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais / Estabelecimento Prisional da Guarda
Coprodução_ Munícipio da Guarda/Teatro Municipal da Guarda
Produção_ Terceira Pessoa
Agradecimentos_ Chefe Principal Paulo Xistra e Guarda Principal Ana Paula Sousa e todo o corpo da Guarda Prisional do EPG, Alfredo Conde, Dra. Gabriela Tomaz, Dr. Luís Couto, Sandra Carvalhinho e Regina Guimarães.