
procurar o lugar que se esquiva, habituar-me à contínua fuga do mundo,
permitir em mim o sítio onde a palavra se apagou,
repousar nele como quem encontra a serenidade na desolação,
perder, perder cada vez mais até ao indizível,
não falar, não escrever, para enfim recomeçar:
a estrada é a espera de um nome.
in O Choro é Um Lugar Incerto, de Rui Nunes
LUZ NEGRA é uma performance de Ana Gil e Nuno Leão, criada no âmbito do projeto pluridisciplinar “Rastro, Margem, Clarão”, que reuniu criadores das artes performativas e visuais e ensaístas em torno da escrita de Rui Nunes.
Nos livros de Rui Nunes, escrever já é um gesto performativo: páginas feitas de vazios, brancos, rasuras e frases truncadas, que pedem menos uma leitura do que uma visão, mais próxima da respiração, do gesto e do corpo.
É daí que parte LUZ NEGRA: uma performance em que o corpo se procura construir como lugar e o espaço se torna, ele próprio, um corpo em construção. Um lugar onde se hesita entre a perfeição e o desastre.




