
O espetáculo SUSTER é resultado do projeto de cocriação, formação e intervenção artístico-social “Ar livre”, cocriado com a população reclusa do Estabelecimento Prisional da Guarda.
Desenvolvido no Estabelecimento Prisional da Guarda, “Ar livre” nasce da convicção de que a criação artística pode constituir um espaço de encontro, reflexão e reconstrução individual e coletiva. O projeto propõe uma abordagem pluridisciplinar de intervenção social através das artes performativas, cruzando teatro, escrita criativa, improvisação e composição cénica.
A dramaturgia parte da ideia da “respiração como ato político”, explorando o respirar enquanto gesto fisiológico, emocional, existencial e de resistência. Num contexto marcado pela privação da liberdade, o espetáculo questiona os limites do corpo, do espaço e da identidade.
Partindo do conceito de heterotopia desenvolvido por Michel Foucault, “Ar livre” transforma o espaço teatral num território de suspensão e possibilidade, onde os participantes são convidados a reinventar a relação consigo próprios, com os outros e com o mundo. Ao longo do processo, os reclusos e reclusas foram desafiados a transformar memórias, pensamentos e vivências em matéria artística, num trabalho contínuo de investigação, criação e autoconhecimento.
A interpretação de “Suster” é assumida pelos próprios participantes do projeto, acompanhados por artistas convidados, num gesto artístico que dilui fronteiras entre instituição prisional e comunidade, aproximando o público de realidades frequentemente invisíveis.
Sinopse
Diário da respiração, dia 91:
Hoje disseram-nos que o nosso último espetáculo terminava assim:
“Gostava de saber fazer vento. Qualquer dia farei vento como quem canta com amor. Talvez amanhã.”
Fiquei o dia todo suspenso nisto e parece que de cada vez que expiro um som se forma na caixa de ressonância onde o meu coração acorda. Quero adormecer, mas a minha respiração não me deixa. Calma! Calma! Amanhã vou cantar como quem ama o vento que passa. Talvez ainda goste de estar ao ar livre. Durmo.
M/12 · 60 min (aprox.)




