Para que lado fica o amanhã? – no âmbito do projeto Espíritos livres
2022
Artes Performativas

Contar o fim para ter um bom princípio: evito em certos dias falar da amargura para não me deixar invadir pela impaciência. Mas vede bem, entendei bem: há uma caução para o sofrimento, para o tédio e a malignidade e, se um homem falha essa medida, que cruz lhe poreis sobre os ombros? Avanço em vazios: tenho comigo o acordar de qualquer dia. O dia é céu. O dia é terra, à deriva, onde ondas como desertos ao vento se misturam entre nós. Vou passar um fim de semana muito lento, aproveitar o calor.
PARA QUE LADO FICA O AMANHÃ? apresenta-se como um plano de fuga ao tempo, ameaçando as ideias morais que temos do bem e do mal, tornando os espectadores reféns de si próprios, num universo paralelo onde se empurra o público para um caminho poético, errático e imprevisível.
Este é um espetáculo sobre pessoas perdidas no tempo que se propõem a pausar as suas vidas para se encontrarem com o público no tempo presente e dizer: “Isto é a página rasgada do livro que não escrevi”.



