Anatomia do fazer
Direção artística, conceito e cocriação de Ana Gil, Diogo Martins, Nuno Leão e Óscar Silva · Ensaios de Diogo Martins, Hugo Cruz, Maria Sequeira Mendes e, em coautoria, Isabel S. Silva e Ana Bártolo
Terceira Pessoa, 2023 · ISBN 978-989-53157-4-1 · Tiragem de 80 exemplares
Anatomia do fazer é um objeto editorial que engloba um conjunto de materiais criados em torno do trabalho desenvolvido pela Terceira Pessoa ao longo de 11 anos na área das artes performativas e dos cruzamentos pluridisciplinares.
Ensaiam-se conexões entre o pensamento criativo de artistas, participantes cocriadores, e os olhares que os próprios percecionam acerca dos objetos artísticos, o modo como os vivenciam imersos no processo criativo.
Este processo não é aqui contemplado como uma sequência evolutiva de conquistas em progressão, mas enquanto abertura ao inesperado de possíveis inflexões e desvios. Reflete-se e disseca-se o caráter não linear e multifacetado do pensamento artístico, dos espaços de subjetividade individual, invocando a autoperformance livre, o(s) tempo(s) e espaço(s) próprio(s) de cada elemento.
O processo iniciou-se com o convite a quatro autores para produzirem textos em torno dos diversos eixos de ação que têm atravessado os projetos da Terceira Pessoa: Diogo Martins escreveu em torno da criação artística; Hugo Cruz foi desafiado a ensaiar a partir da dialética entre arte e comunidade; por sua vez, Isabel S. Silva pensou sobre as práticas artísticas e o seu impacto social; e Maria Sequeira Mendes refletiu sobre os movimentos entre arte e educação.
Cada um destes textos potenciou uma ‘corrente’ contendo uma série de ‘respostas’ que Ana Gil, Diogo Martins, Nuno Leão e Óscar Silva foram produzindo e trocando entre si. De dia para dia, cada elemento tinha acesso apenas à última resposta dada para, a partir daí, continuar a corrente e criar a sua proposta, que haveria de ser retomada por outro elemento do coletivo.
O resultado é este corpo inconcluso, adiando o seu fim. Talvez, por isso, fale mais do que nele não é visível, do que daquilo que consta das suas páginas. E, assim, desafie e agudize os condicionamentos imediatos de um livro uno e indivisível, interpelando as relações mentais e físicas que os leitores podem criar com os vários materiais que o constituem.
Chegando às mãos dos leitores, procura-se que este gesto possa encontrar vias de continuidade. Que este corpo-esquisso possa recomeçar a cada tentativa: matéria que faz e refaz o seu inacabamento.

